Maria Ivone Vairinho e Poetas Amigos

Abril 20 2012

publicado por poetaporkedeusker às 12:42

Abril 02 2012

Sobre tudo o que nasça e que se exprima
Em forma do que nunca vos direi,
Desse enigma me basta, eterna, a rima
Pr`a vos falar do muito que eu não sei

E, mesmo que não haja quem redima
Quantas lacunas já por cá deixei,
Que importa se de música se anima
O quanto quis dizer, mas não logrei?

Jamais duvidarei de alguém que entenda
Que ousar a melodia é dar-lhe a voz
Que expressa o seu sentido universal,

Ou que, ao ouvi-la, exulte e compreenda
O quanto dela vibra em todos nós
Se o ritmo que alcançou for musical…



 

Maria João Brito de Sousa – 02.04.2012 – 14.53h


publicado por poetaporkedeusker às 15:22

Março 28 2012

 

 

 

Tempo de Pascoa,tempo tão sublime

Tempo em que o amor ao ódio supera

Somente a paz e a luz, em nós impera

Nenhum mal haverá que se aproxime;

 

Ressuscitou a Luz que nos redime

Que nos eleva a Deus e recupera

Nossa Fé renovada, em vida e espera

Pela Ressurreição que nos suprime.

 

Foi na Última Ceia, Q'uele mostrou

Que o maior amor é de quem amou

Sem limites na Fé, amor de irmão.

 

Irmão, que foi irmão, p'ra nos salvar

Foi exemplo de amor e quis provar

Que em amor é maior, é a Salvação!

 

Cecília Rodrigues

Março-2012

publicado por Cecilia Rodrigues às 15:19

Março 04 2012

 

SAUDADE DE AMORES


Teu rosto, é sonho meu já esquecido
Teus murmúrios, ainda guardo nos ouvidos

É um som que me vai deixando vencido
E na mente, resta apenas teus gemidos

 

Que os recordo tantas vezes em prantos 
Na minha triste solidão atroz
São prazeres, amores e encantos
Tais momentos passados, quando sós

 

Desenhei teu nome em meu coração
Agora é poema nos troncos do arvoredo
São pedaços gravados de desilusão
Que só de lembrar sinto medo

 

E nas planícies de verde frescura
Procuro a linda flor vermelha açucena
Que a beijarei com toda ternura 
Como a ti beijava de manhã serena

 

Hoje, vem o choro destas lembranças
Quando no campo olho as lindas flores
Que com elas enfeitava tuas tranças
Me resta agora a saudade desses amores

 

De: Fernando Ramos



publicado por Fernando Ramos às 19:02

Fevereiro 02 2012

Como hei-de interpretar tão estranho gesto

De clara discordância e suspeição

Se, no que me respeita, é sempre honesto

Este acto de vos dar - ou não... - razão?

 

Tudo o que vos disser terá, de resto,

A mesma garantia de isenção;

- De quanta opinião guardar no cesto,

Construirei, mais tarde, opinião...

 

Se o tempo escassear, duplicarei

Em vontade o que falte às aptidões,

Em perda o que me for escapando em ganho

 

Mas, enquanto viver, eu escolherei

E irei sempre guardando opiniões,

Sem antes lhes medir força ou tamanho...

 

 

 

Maria João Brito de Sousa - 01.02.2012 - 18.57h

publicado por poetaporkedeusker às 13:55

Dezembro 13 2011


É de longe que venho. O que eu corri…

 

Quantos prados eivados de ribeiras,

 

Quantos penhascos, quantas ribanceiras

 

E quanto esconso vale não percorri!

 

 

 

E o tanto que passou e que nem vi,

 

Na pressa de correr? Entre carreiras,

 

Se perdem forças, se ganham canseiras,

 

Se esquece tanto quanto eu já esqueci…

 

 

 

Às vezes muito tarde, noite afora,

 

Esperando a madrugada, como agora,

 

De pálpebras cerradas mas sonhando,

 

 

 

Outras vezes de dia, a qualquer hora,

 

Gravando a irreverência da demora

 

Neste quase insondável “sei lá quando”…


 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 13.12.2011 – 21.16h


 

 

Imagem de um dos megalitos da Ilha de Páscoa, retirada da internet

publicado por poetaporkedeusker às 22:26

Novembro 01 2011

Quis falar do Mondego e, na verdade,

É da foz do meu Tejo que vos falo

E cresce cá por dentro a voz que calo

E conta das saudades sem saudade

 

Solta-se o sonho oblíquo à claridade

E a linha de horizonte é um cavalo

Que não sei se lá está, se imaginá-lo

É lapso de memória ou se é vontade…

 

Galopa o meu poente à beira Tejo

Rumo a essas lonjuras que nem vejo

Por estarem tão além do meu futuro

 

Sobra-me, então, do sonho, o claro espanto

Do cavalo-solar que aqui levanto

E rasga, a ferro e fogo, um céu já escuro!

 


 

 

Maria João Brito de Sousa – 01.11.2011 – 16.00h

publicado por poetaporkedeusker às 18:24

Outubro 27 2011

É por dentro das horas que desfio

O rosário das queixas que não faço

E esta fome de sol, que por cá passo,

Que me apodrece a vida e me faz frio

 

Sou abismo cavado em cada rio

Que rompe a terra mãe no seu abraço

E, do meu mais profundo, o puro traço

De quem, deixando-se ir, não desistiu

 

Mas, cada vez mais frio, dentro das horas

Que passam desmentindo outras demoras

Que o ciclo natural sempre despreza,

 

Se o leito do meu rio sabe que existe…

[se eu conquisto o direito de estar triste,

renego a minha afável natureza…]

 

 


 

Maria João Brito de Sousa – 26.10.2011 - 15.20h

publicado por poetaporkedeusker às 02:01

Outubro 07 2011

 

Se a Cidade contasse os segredos

Das janelas fechadas dos dias

Quantos rostos e mãos não verias

Nas cortinas já gastas dos medos,

 

Quantos corpos em estranhos folguedos,

Quantas camas desfeitas, já frias,

Quantas mesas de pinho vazias

De uns pedaços de pão, mesmo azêdos?

 

Se a Cidade pudesse falar

E se erguida do chão, a gritar,

Rebentasse em protesto incontido

 

Levantando o seu punho no ar...

[... ah, Cidade que eu tento inventar,

nem eu própria sei dar-te um sentido!]


 

 

 

Maria João Brito de Sousa - 05.10.2011 - 15.03h  

 

 

publicado por poetaporkedeusker às 23:35

Setembro 29 2011

ALENTEJO

 

Alentejo das gentes castigadas,

Dos sobreiros reinando nas planuras

E das vozes dolentes, bem timbradas,

Que falam de alegrias, de amarguras…

 

Alentejo das searas espraiadas

Pl`o trigo inacabável das lonjuras,

Das casas pequeninas, bem caiadas,

Onde, à lareira, o povo queima agruras

 

Onde a gente se senta nos poiais

E esse pouco parece muito mais

Que o melhor que o mundo possa dar;

 

Vontade unida em vozes tão plurais

Faz-nos saber que não será demais

O que homens e mulheres não vão calar

 


 

 

Maria João Brito de Sousa – 04.09.2011 – 15.37h

 

 

NOTA - Foi feita, neste soneto, uma pequena correcção correspondente a uma falha métrica no segundo verso do primeiro terceto.

publicado por poetaporkedeusker às 15:10

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